DA NEUTRALIDADE DA TECNOLOGIA

Marco Aurélio Martins Rodrigues, Maurício dos Reis Brasão

Resumo


O artigo nasce de uma longa viagem de volta à noção da neutralidade da tecnologia, tendo como embasamento teórico e bibliográfico os estudos da Tecnologia e Finitude Humana de Andrew Feenberg, delineado o pensamento em Heidegger e Marx. Segundo o autor, a neutralidade geralmente se refere à indiferença de meios específicos para uma escala de objetivos dos quais se é escravo. Se nós supusermos que essa tecnologia como nós a conhecemos hoje é indiferente em relação aos fins humanos de modo geral, então certamente nós a neutralizamos e a colocamos além da controvérsia possível. Alternativamente, pode-se discutir que se a tecnologia é neutra em relação a todos os fins que podem ser tecnicamente ser servidas. Mas nenhumas destas posições fazem o sentido. Hoje nós empregamos tecnologia específica com limitações que são devidas não somente ao estado de nosso conhecimento, mas também às estruturas do poder que balizam este conhecimento e suas aplicações. De abordagem qualitativa, é um estudo bibliográfico. Como resultados, os estudos constatam que a maior implicação desta abordagem é trabalhar com os limites éticos dos códigos técnicos elaborados sob a regra da autonomia operacional. Também, observamos que o mesmo processo libertou os capitalistas e os tecnocratas para tomar decisões técnicas sem levar em consideração as necessidades dos trabalhadores e das comunidades e gerou uma riqueza de “valores novos,” demandas éticas forçadas a procurar a voz discursivamente. Para Feenberg, a democratização da tecnologia encontra maneiras novas de privilegiar estes valores excluídos e de realizá-los em arranjos técnicos novos. Concluímos que a tecnologia contemporânea favorece extremidades específicas e obstrui outras.

Palavras-chave: Tecnologia. Filosofia. Educação. Pós-modernidade.


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